CERRADO BRASILEIRO
O valor de um guia
terça-feira, março 18 2008 - 11:46

O Houaiss (dicionário) define guia como como "pessoa que acompanha ou dirige outra(s) para mostrar-lhe(s) o caminho". Define o ato de guiar como "acompanhar, mostrando o caminho ou servindo como cicerone; orientar, conduzir(...)dar proteção a; amparar, socorrer".

Todos aqueles que empreendem uma jornada pelo desconhecido não devem prescindir da figura valiosa de um guia. Sua companhia deve garantir orientação espacial, proteção física, auxílio nas dificuldades, qualidade nas informações, valorização das descobertas, relacionamento com interlocutores, respeito ao meio ambiente, sustentabilidade no turismo, valorização da cultura local e muita aprendizagem.

Os mais experientes exploradores europeus nunca abriram mão desse indispensável recurso. Espanhóis, portugueses, holandeses, franceses e principalmente os ingleses sempre buscaram nas populações locais indivíduos que lhes pudessem mostrar os caminhos, advertí-los dos riscos e servir-lhes de intérpretes. Fosse na Ásia, na Oceania, na África ou nas Américas, os guias serviram para descobrir minérios, estabelecer relações de aliança com populações locais, estabelecer rotas comerciais, apreender espécimes da fauna e da flora ou para ajudá-los na logística de dominação.

Os naturalistas, todos eles, sem excessão, de Darwin a Langsdorff, Saint-Hilaire ou Von Martius, sempre se valeram de habitantes locais que os guiassem e os levassem aos seus objetos de exploração, fazendo-os ganhar tempo e conhecimento no cumprimeto de estudos que, sem o conhecedor do local, seria inviável. Marco Polo não chegaria à China sem vários deles, da mesma forma que Rondon não desbravaria o sertão brasileiro se tivesse que descobrir, por si só, caminhos e povos.

Sempre recorro a guias quando desejo descobrir um espaço ou uma cultura nova. Cada vez mais me convenço de que vale muito tal investimento. Já tivemos como guia um garoto em Cordisburgo que, em aproximadamente 4 horas, nos fez conhecer a cidade, a casa onde nasceu Guimarães Rosa e a gruta de Maquiné. Tivemos um guia em São Luís que nos fez conhecer a maior parte da história e da cultura da cidade, com riqueza de detalhes, e ainda nos levou às melhores bancas do Mercado Municipal, às melhores cozinhas típicas, em bancas de rua, às tradicionais bordadeiras e rendeiras, às melhores praias e aos espetáculos temporões de bumba-meu-boi e tambor-de-crioula. Tudo em apenas dois dias.

Contratei serviços e recebi: conhecimento, satisfação, conforto, segurança. Muitas vezes ganhei ainda a amizade. Na Argentina, na falta de um guia contratado, tomei um taxista como tal e que nos levou a, numa só noite, conhecer cinco das melhores e mais originais casas de tango portenhas.

Na Chapada Diamantina, contamos com o Fernando, da Pouso dos Crioulos, que já em duas oportunidades nos fez, além de conhecer muito mais do que conseguiríamos sozinhos, economizar em refeições - com absoluta qualidade - muito mais do que investimos nos seus serviços. Além disso, ele tem as chaves da Igreja inacabada de Nossa Senhora de Santana cuja visitação só foi possível, pois, com ele.

Em Pirenópolis, o guia viabilizou um café da manhã colonial, na secular fazenda Babilônia, fora de dia e hora. Em São Jorge, não faço passeios sem a companhia do Dedé (Adelino) que, além de tocar para nós, nas noites, viola caipira e acordeão, resgatou a capa da minha Nikon das águas do Canion II e preparou, com dedicação, uma deliciosa paçoca de barú. Isso sem falar no conhecimento que ele tem da flora do cerrado, que é reconhecido por professores de universidades de Brasília e que o credenciou a participar da série de TV, da Regina Casé, "Um Pé-de-Quê?".

Em Cavalcante, mais recentemente, conheci o primoroso trabalho da Suçuarana - Roteiros e Expedições. Na figura central do Cleyton Ogura. Esse, um guia dos novos tempos. Com GPS, veículo 4 x 4, equipamento sofisticado, que fala inglês e japonês e que negocia seus serviços pela internet. Ainda assim, além da tecnologia, consegue ter olhar de sustentabilidade sobre as tradições e cultura de um povo simples, somadas às preocupações com o desenvolvimento da economia local e com a valorização das riquezas naturais e da organização cooperativada dos guias da Chapada.

Portanto, um guia não é só uma pessoa para levar e trazer pessoas, mas de fazê-lo advertindo dos perigos, chamando a atenção para o belo e para o novo, provocando descobertas, apresentando passeios e serviços de qualidade e conhecendo as pessoas locais. Um guia treinado e juramentado não só protege o indivíduo dos perigos da natureza como protege a natureza dos intrusos que a desconhecem. É capaz de prestar os primeiros socorros, de instruir sobre as riquezas existentes e além disso tudo, fotografar - com qualidade - o grupo.

Kalungada 2008 e história da iniciativa.
segunda-feira, março 10 2008 - 02:31

Há quatro anos o Grupo de Caminhadas de Brasília - do qual sou membro desde o ano de 2002 - realiza a Kalungada. A ação, de cunho social, também apelidada de "Expedição Kalunga", "Natal com roubadas" e depois de "Carnaval com roubadas", consiste na distribuição de presentes para kalungas, principalmente as crianças. Sandálias Havaianas, escovas e pastas de dentes, bolas, bonecas, jogos educativos e outros brinquedos são distribuídos.

Começou por iniciativa do companheiro Ivam que teve apoio de boa parte do Grupo. A idéia foi a de realizar uma ou mais caminhadas e "saídas" de jipes, para a entrega de presentinhos de natal para as populações carentes residentes nos lugares em que nós visitamos com mais freqüência, como uma forma de retribuir a
hospitalidade e a cordialidade com a qual sempre fomos recebidos, considerando-se que tais crianças, em razão da localização de suas casas, não são
atendidas por ações similares que acontecem na época do Natal.

No primeiro ano, em 2005, as primeiras comunidades contempladas foram: Várzea do Lobo e Placas (Pirenópolis); e Vão de Almas, Vão do Moleque e Engenho (Cavalcante). Nos anos seguintes, em razão das agendas dos participantes, o que era "Natal com Roubadas" virou "Carnaval com Roubadas"*, e os objetos distribuídos passaram a ser, prioritariamente, livros e material escolar.

Em 2006, foram doados livros e estantes para a montagem de 3 bibliotecas oriundas de doações de livros que recebidos por amigos colaboradores do Jeep Clube de Brasília, da ABRESCA, do Coroas do Cerrado e Moutain Bike Brasília. A idéia ganhou corpo e passou a fazer parte do calendário oficial do Grupo de Caminhadas.
 
Em 2007, problemas com agenda dos participantes e a grande quantidade de chuva que normalmente cai no cerrado, nessa época do ano, fizeram com que apenas apenas 4 voluntários (Ivam, Fabrício, Mell e Wilson) fizessem a distribuição do material comprado com a colaboração de muitos. Por questões de logísticas, nesse ano muitas crianças deixaram de receber o material.

Agora em 2008, nos dias 29 de fevereiro, e 1º e 2 de março, com um bom volume de doações e com grande adesão de voluntários, foram distribuídos mais de 200 kits. Para o Vão do Moleque foram quatro veículos 4 x 4, que corajosamente atravessaram rios e enfrentaram a chuva nos 250 km percorridos nos estados de Goiás e Tocantins, com 16 pessoas. Para o Vão de Almas foram outros colegas que carregaram valentemente os kits em suas mochilas e venceram sete kilometros de pedras e declives em caminhada à beira do rio Paranã.

Parabéns a todos os grupos e pessoas que sempre colaboram nas doações e na distribuição, em especial à Mell, Ivam, Fabrício e Kelly que se revesaram na organização, nesses 4 últimos anos.

Fotos podem ser vistas nos endereços:

Kalungada 2006:
No site do fotógrafo Breno Fortes:
http://www.brenofortes.com/php/modules.php?name=Coppermine&file=thumbnails&album=12

Kalungada 2007:
Nesse site:
http://www.cerradobrasileiro.com.br/ImageGallery/ImageList.aspx?id=98fbd59f-5a94-451a-bf62-9dd40530d278&m=1&c=2480f4b7-f853-4455-8f7e-ea241f615491

Kalungada 2008:
Na página do Grupo de Caminhadas:
http://br.ph.groups.yahoo.com/group/caminhada_bsb/photos/browse/22c8
Nesse site:
http://www.cerradobrasileiro.com.br/ImageGallery/ImageList.aspx?id=98fbd59f-5a94-451a-bf62-9dd40530d278&m=1&c=b5501c5d-cabd-40ff-b283-ca72beec82ff

2 registros total(ais)        

11000000101000001100000011110000100010001010000011111111101000001111111111000000101010101100110011001100100000001111111110000000
Arquivo:
setembro de 2009
maio de 2009
março de 2008
Categorias
Brasília
Caminhadas e Expedições
Ecologia
Povos do Cerrado
Ecoturismo
InicialBlog: O Sertão Brasileiro O homem no cerradoA biosferaBrasília, a capitalChapada dos VeadeirosCaminhadas no cerrado
Copyright -Wilson Fraga Alegretti-2007